3.27.2007

Adágio

Será que poderíamos resolver o problema da existência, em especial as mazelas da vida de um indivíduo em particular (eu, talvez), com um tango porteño do célebre Piazzolla? Talvez não, porém nos encontramos quase perto. O eu em questão sofre com o drama, e se sente feliz com a dor, por se tornar humano e sentir-se ao máximo. A dúvida cartesiana possibilitou a construção da existência; no nosso caso, muito além de "purificar a alma", a dor ressuscita a alma e aponta para sua melhora. Ferida dura esta vida, cicatrize-se.

Ta P'tite Flamme (Amélie-Les-Crayons)

Y'a quelque chose de la vie
Dans tes yeux qui rient
Y'a cette petite flamme qui crie
Qui brûle et qui brille

Juste un regard pour comprendre
Que c'est dans tes yeux que je me sens le mieux
Juste un sourire pour te dire
Que j'ai besoin de toi
Reste et regarde moi

Y'a quelque chose du bonheur
Dans ta voix qui vibre
La réponse de mon coeur
C'est qu'il se sent libre

Libre d'être moi quand
Tu m'serres dans tes bras
Libre de vivre un amour
Qui m'apprend tous les jours

Quand j'suis loin, j'pense à toi
A ta p'tite flamme, à tes yeux
Et je me sens mieux

Quand j'suis loin, j'pense à toi
A ta p'tite flamme, à tes yeux
... et je me sens deux

Y'a quelque chose d'universel dans notre histoire
Un petite étincelle
Pour bien plus qu'un soir

Est-ce que tu veux me donner ta main
Pour tout l'temps qu'on s'ra bien?

Est-ce que tu veux partager mon chemin?

Moi j'dis oui pour le tien...

1.29.2007

Infância

Acredito que uma das coisas mais interessantes da vida de uma pessoa, por mais ingênua que seja ela, se constitue nas experiências infantis. Os brinquedos, o amor materno, a escola, as percepções e descobertas do mundo, o estranhamento de tudo. Brincava com um carrinho, lembro-me, e podia imaginar todo o restante da frota. O barulho do motor, o parar no semáforo, o olhar pelo retrovisor. Os aspectos mais necessários para a vida no trânsito se constituia pela observação que fazia de meu pai dirigindo. O ruim de ser criança é a vontade de querer crescer logo, só depois de "grande" percebí o quanto foi boa minha infância.

1.28.2007

Da mulher que os ama (ou monólogo de um velho caduco, não pela idade)

Haveria eu de ser a última pessoa que mereceria um único grama de consideração? Pois foi desta forma que ela tentou agir. Se conseguiu ou não, isso se constitui numa análise que definitivamente eu não gostaria de ter de fazer. Mas, venhamos e convenhamos, encontro-me em situação que não posso definir ao certo o que penso e o que faço, ajo apenas funcionalmente, me guio pelo sentido de ser, no vácuo dessa existência tão útil quanto inútil.

Gritou-me, mais de uma vez. Talvez mais de cem vezes. Queria ser paciente, mas parece que não sou. Se fosse teria tirado por menos, me embriagado no sono de cada dia e quebrado a cara de alguém em sonho.

O teor é o de menos, o que importa são as atitudes; espero conseguir iludir-me mais e mais, no tempo só me resta o sangue que sai com aumento gradativo de meus punhos, que pelas diversas facas em que se amolou sangra menos por obrigação que por ferimento.

Quanto ao silêncio, este é meu consolo. Chorar e me sinto feliz, só em pensamento. As frias carnes de minha face já não mais suportam o movimento.

algum sentido

Recuperar a memória é algo estranho, implica dizer que ela já havia sido perdida. Não concordo com isso. Da memória é retirado o sumo da vida, o sentido de existir, o "ter uma história". Não há recuperação, se é o que se está sendo, sem intervalo.
***
O que dizer da pessoa esquecida? Esta, concerteza, não sabe quem é.
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Buscar o sentido último da palavra dita pela boca, que às vezes muda pode soar como trovão. Ser é existir? Questão complicada. O fato é que eu me comporto a mim mesmo, no que busco ou faço ouço o traquear implícito do "agora e sempre!", do eterno que não se põe, somente na morte.