1.29.2007

Infância

Acredito que uma das coisas mais interessantes da vida de uma pessoa, por mais ingênua que seja ela, se constitue nas experiências infantis. Os brinquedos, o amor materno, a escola, as percepções e descobertas do mundo, o estranhamento de tudo. Brincava com um carrinho, lembro-me, e podia imaginar todo o restante da frota. O barulho do motor, o parar no semáforo, o olhar pelo retrovisor. Os aspectos mais necessários para a vida no trânsito se constituia pela observação que fazia de meu pai dirigindo. O ruim de ser criança é a vontade de querer crescer logo, só depois de "grande" percebí o quanto foi boa minha infância.

1.28.2007

Da mulher que os ama (ou monólogo de um velho caduco, não pela idade)

Haveria eu de ser a última pessoa que mereceria um único grama de consideração? Pois foi desta forma que ela tentou agir. Se conseguiu ou não, isso se constitui numa análise que definitivamente eu não gostaria de ter de fazer. Mas, venhamos e convenhamos, encontro-me em situação que não posso definir ao certo o que penso e o que faço, ajo apenas funcionalmente, me guio pelo sentido de ser, no vácuo dessa existência tão útil quanto inútil.

Gritou-me, mais de uma vez. Talvez mais de cem vezes. Queria ser paciente, mas parece que não sou. Se fosse teria tirado por menos, me embriagado no sono de cada dia e quebrado a cara de alguém em sonho.

O teor é o de menos, o que importa são as atitudes; espero conseguir iludir-me mais e mais, no tempo só me resta o sangue que sai com aumento gradativo de meus punhos, que pelas diversas facas em que se amolou sangra menos por obrigação que por ferimento.

Quanto ao silêncio, este é meu consolo. Chorar e me sinto feliz, só em pensamento. As frias carnes de minha face já não mais suportam o movimento.

algum sentido

Recuperar a memória é algo estranho, implica dizer que ela já havia sido perdida. Não concordo com isso. Da memória é retirado o sumo da vida, o sentido de existir, o "ter uma história". Não há recuperação, se é o que se está sendo, sem intervalo.
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O que dizer da pessoa esquecida? Esta, concerteza, não sabe quem é.
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Buscar o sentido último da palavra dita pela boca, que às vezes muda pode soar como trovão. Ser é existir? Questão complicada. O fato é que eu me comporto a mim mesmo, no que busco ou faço ouço o traquear implícito do "agora e sempre!", do eterno que não se põe, somente na morte.